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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

NEEMIAS


Neemias: 9 princípios para edificação da obra do Senhor
O Antigo oriente Médio era dominado pela Pérsia, com sua organização política e administrativa dividindo o império em regiões chamadas satrapias e a Palestina pertencia à satrapia Transeufrates [ou depois do Rio Eufrates], junto com a Síria, Fenícia, Canaã e Chipre.
Neemias tinha uma função de confiança junto ao rei Artaxerxes: era seu copeiro. E acabou sendo, por um tempo, uma espécie de vice-governador de uma porção desta satrapia [Ne 2.6-9; 3.7], num evento histórico pois desde 587 a.C. [exílio do rei Sedecias] Jerusalém não abrigava nenhuma autoridade. Isso aconteceu por volta de 430 a.C.
Sua missão era: a. fortalecer a comunidade de Jerusalém, preparando-a para a reconstrução;
b. reorganizar o povo na terra e na cidade;
c. disciplinar o povo de volta às Escrituras e
d. corrigir eventuais abusos políticos, econômicos e religiosos.
Vamos explorar o livro de Neemias entender os 9 princípios que ele usou para cumprir a missão de reconstruir Jerusalém, missão essa dada pelo próprio que Deus. Vejamos:

1) PERCEPÇÃO DAS NECESSIDADES [1.1-4]
Neemias tinha suas ocupações na corte persa, como ele mesmo afirma, era “copeiro do rei” Artaxerxes, uma função de confiança e ao mesmo tempo muito perigosa, pois cabia-lhe, entre outras coisas, provar a comida e a bebida que era servida ao rei – evitando assim que o mesmo sofresse envenenamento [2.1]. Num ambiente de constantes intrigas palacianas, não era algo improvável. Mas o fato é que Neemias tinha acesso ao rei e à rainha, e por isso tinha uma vida que era invejada por muitos.  Todavia Neemias não se desligou do seu povo e da sua história.
À semelhança de Daniel não perdeu sua identidade no meio de uma nova realidade [Ne 1.1-3]. Apesar de estar na opulenta Susã, uma das capitais imperiais [usada especialmente no inverno por causa do clima mais ameno] o coração de Neemias se enternece com o estado de miséria dos israelitas que ficaram na sua terra, em ‘grande miséria e desprezo’, as muralhas em ruinas, as portas incendiadas e a cidade destruída. 
Era passado o tempo do exílio, e era necessária a reconstrução de Jerusalém.
Mas como aqueles judeus que ficaram na mais absoluta miséria poderiam fazer isso?
Os nobres tinham sido levado cativos, o próprio Neemias era de família nobre, como Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.
Não havia liderança no meio dos escombros – havia apenas o que poderia haver, uma luta diária pela sobrevivência em condições hostis.  No decorrer da narração da historia de Neemias vamos perceber que havia injustiça social, exploração dos judeus pelos próprios judeus, com desigualdade social, exploração, escravismo, sacerdotes e profetas corruptos. Há conflito no que se refere à fé, entre os judeus que não foram pro exílio, os que retornaram com Esdras e os não judeus. Havia uma tentativa de sincretismo por parte de uns e radicalismo por parte de outros, casamentos mistos, alianças por interesses econômicos.

2)DISPOSIÇÃO PARA A OBRA [1.11; 2.1-6]
Após buscar a presença de Deus, confessando seus pecados e reconhecendo o pecado de seu próprio povo [pois não podia confessar o pecado de terceiros – confessamos os nossos pecados, intercedemos pelos pecados dos outros.
A confissão é sempre fruto do arrependimento individual] Neemias pede ao Senhor que lhe dê “mercê perante o Rei”. Ele havia decidido fazer algo para melhorar a situação do seu povo.
Tinha um plano e havia tomado uma resolução. A execução não dependia dele.
O texto nos mostra um Neemias resoluto e ao mesmo tempo tenso, preocupado.
Como ele convenceria o rei a permitir a reedificação de Jerusalém, uma cidade com um grande histórico de revoltas e guerras?
Neemias percebeu que este não era o seu problema. Ele deveria estar disposto a ser o instrumento de Deus para aquela obra.
E se fosse da vontade de Deus o rei lhe seria favorável [Ne 2.1-3].
Confiante e preocupado, Neemias aguardou a ocasião propícia, sabedor de que há tempo para tudo debaixo do céu, e não se deve desperdiçar as oportunidades.
Entre março e abril de 445 a.C. Neemias é inquirido pelo rei do porque da sua expressão tensa, expôs-lhe o que lhe preocupava o coração, e conseguiu a liberação do rei para viajar, recomendações para que tivesse segurança e recursos materiais para a reedificação da cidade [Ne 2.4-5]. Na verdade, Neemias faz duas viagens, uma em 445 a.C. e outra em 432 a.C.

3)          AVALIAÇÃO DO QUE PRECISA SER FEITO [2.11-15]
Uma vez autorizado a fazer, era agora preciso verificar o que deveria ser feito. Neemias tinha um prazo para fazer a obra, e seus recursos também não eram ilimitados. Para realizar sua obra, ele precisa saber exatamente o que há de ser executado.
E o faz, sem estardalhaço. Chega a Jerusalém sem um projeto, sem saber ainda o que e como deveria fazer. Não é incomum assumir obrigações com uma grande disposição e, na realidade, não ter nenhum planejamento. Ao chegar a Jerusalém Neemias resolve fazer um reconhecimento do terreno para verificar a extensão da obra que tinha que realizar. Ele não conhecera Jerusalém. Tampouco conhecera o templo. Reconstruir uma grande cidade com um "resto de povo" como descrito por Isaías não seria uma tarefa fácil.
Exigiria conhecimento do terreno, disposição adequada dos recursos disponíveis.
Enfim, exigira planejamento. Neemias deveria saber exatamente o que precisava ser feito. Cada muro, cada porta, cada etapa do trabalho precisava ser cuidadosamente definida.

4)          NÃO DESANIMAR APESAR DAS DIFICULDADES [2.14]
Neemias circunda a cidade à noite, chegando a um lugar onde nem mesmo o seu animal [provavelmente uma mula] consegue passar.
À noite, com pouca gente, sem conhecer direito o terreno, tendo que andar a pé. Eis o momento em que muitos desanimam.
Argumentam estarem sós, não enxergarem nada à frente, não terem nem mesmo saída.
A maioria desiste. Mas não os homens de fé [II Co 5.07].
A grande Jerusalém, edificada como cidade compacta [Sl 122.3], isto é, protegida por muralhas, não passava de um monte de escombros, mas Neemias, apesar dos escombros, olhava para o que ele sabia ter sido, e para o que poderia ser.
É por isso que ele identifica cada lugar pelo seu nome antigo. Ele não queria perder a historia, mas ao mesmo tempo não estava disposto a deixar que Jerusalém virasse apenas historia.
Havia trabalho a ser feito, e ele estava ali para fazer o trabalho. Ele sabia o que havia acontecido, estava disposto a fazer e sabia o que precisava ser feito.
Não poderia desanimar. Conhecimento sem ação não resolve problema nenhum.
Ação sem conhecimento pode gerar novos problemas.

5)          REJEITAR OS DESCOMPROMISSADOS [2.10; 19-20]
É uma decisão sempre difícil de ser tomada, e às vezes um líder precisa tomar: definir a equipe de trabalho, escolhendo entre aqueles que estão realmente dispostos a fazer a obra e os que estão interessados apenas em "tomar parte". É sempre muito difícil analisar uma equipe e decidir afastar alguém.
E o caso de Neemias é ainda mais difícil porque ele estava pronto a reedificar a cidade à partir de um "resto de povo" e deixando de lado pessoas que tinham recursos, influência e auxiliares.
Pensemos na situação de Neemias: se você fosse reestruturar uma comunidade, você abriria mão de líderes de grupos inteiros nesta comunidade [Sambalate era líder dos horonitas, Tobias, dos amonitas, Gesém, dos arábios – Ne 2.19]. Eles contavam com a colaboração dos asdoditas [Ne 4.7] – todos estes povos inimigos históricos dos judeus.
Talvez muitos estrategistas entendessem que era a hora de uma aliança estratégica, ainda mais que eles tinham dinheiro para comprar apoios [Ne 6.12] e tinham influentes conexões religiosas com os profetas [Ne 6.14] e até mesmo familiares com o sumo sacerdote [Ne 13.28] embora, aparentemente, este não estivesse envolvido com os inimigos de Neemias.

6)     DIVIDIR AS TAREFAS SEGUNDO A CAPACIDADE DE CADA UM [3.1-32; 4.16-23]

Todo o capítulo 3 é dedicado à honrar aqueles que se dedicaram a reedificar a cidade destruída. Cada trecho de muro, cada porta, cada torre foi entregue a um grupo específico.
Neemias antecipa em 25 séculos os princípios administrativos modernos, que identificam a tendência centralizadora imperialista que muitas vezes leva os líderes a se desgastarem desnecessariamente somente porque querem fazer tudo, participar de tudo, quando, na verdade, o que deve ser feito é distribuir tarefas, acompanhar a execução e verificar os resultados.
Planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação de uma atividade são essenciais para se atingir as metas propostas. 
Veja que, mesmo enquanto praticamente todos estão trabalhando, Neemias continua seu trabalho de direção, identificando os relapsos na obra, como no caso dos "nobres de nascimento" de Tecoa [3.5], contrastando-os com que, ordinariamente, não se envolveria neste tipo de trabalho, as filhas de Haloés [3.12].
Ninguém foi obrigado a fazer mais do que tinha condições – houve aqueles que trabalharam apenas "em frente às suas próprias casas" [3.10, 23] e, embora não saibamos o quanto fizeram, não deixaram brechas, fizeram a sua parte. 
Quem tinha condições de fazer e não quis também não foi obrigado a fazer.
É interessante notar que todo este trabalho era voluntário – exatamente como as pessoas pensam ser na Igreja.
Porque "como as pessoas pensam"?
Porque creio que nosso trabalho é serviço a um Senhor – e serviço a um Senhor nunca é voluntário. Só é voluntario nas coisas do Senhor quem não tem Jesus como Senhor.
Se ele é Senhor, então o serviço é obrigatório e deixar de fazer a obra confiada é ser servo mau e negligente [Mt 25.26-27].
Também por ser uma obra a serviço e não voluntaria ela não pode ser feita relaxadamente [Jr 48.10].
Guardemos bem isso: não existe serviço voluntario na obra do Senhor.
Todo serviço é resposta a uma ordem expressa.

7)  NÃO PARAR APESAR DA OPOSIÇÃO [4.1-3]

Há um ditado popular, que era constantemente repetido por meu avô, que afirma que "muito faz quem não atrapalha".
Infelizmente, na Igreja, o inverso é verdadeiro, muito atrapalha quem nada faz.
Há mais especialistas em detectar falhas [reais ou imaginárias apenas porque as coisas não estão sendo feitas do modo que julgam ser correto] do que em dar sugestões.
Conta-se uma historieta em que um presidente da empresa foi procurado por um de seus gerentes para ficar a par de alguns problemas da firma.
Após o relato, o presidente pergunta ao gerente: e qual a solução para estes problemas?
O gerente responde: não sei. Ao que o presidente diz:
Então você não serve para ser gerente se não tem ao menos sugestões.
No caso de Neemias, e de um líder que segue os seus princípios, que não são apenas bíblicos, mas extremamente práticos [Mt 12.30].
Os descompromissados, ao serem rejeitados, poderão se tornar opositores incansáveis.
E após a rejeição esta oposição se transforma em ira e inimizade e incorrem num erro ainda maior que o descompromisso, o de aliar-se aos ímpios, pois as judeus era vedado determinados tipos de relacionamento com os não judeus.
Os vizinhos já eram naturalmente adversários dos judeus, foram sujeitos por eles em diversas ocasiões, e viam com apreensão a reconstrução de Jerusalém.
Os descompromissados e as nações ao derredor agora tem uma tarefa, um alvo principal, destruir o cabeça da obra, Neemias, a ponto de intentarem matá-lo [Ne 6.5-14], tanto com ameaças quanto com artimanhas [Ne 6.10-11].
Neemias não foge da batalha porque sabe que está fazendo a obra do Senhor dos exércitos.  Não se intimida, toma os cuidados necessários mas está pronto para ir em frente.
8)                    CORRIGIR EVENTUAIS DESVIOS PELO CAMINHO [5.1-13]
Para resolver problemas que estavam acontecendo, tanto na área econômica, religiosa e social, ele precisou tomar algumas medidas.
Legislou sobre os empréstimos que eram efetuados por alguns judeus que ficaram ricos, explorando os irmãos com a cobrança de até 60% ao ano, tendo como garantia de pagamento a penhora dos próprios filhos, judeus, que se tornavam escravos de seus irmãos judeus.
Neemias fez valer a lei mosaica de que qualquer penhor só teria valor por 6 anos, e sétimo a divida deixaria de existir [Ne 10.31].
Legislou sobre causas sócio-religiosas, tendo em vista reagrupar o povo que havia sido deixado numa situação de desprezo e abandono, sem qualquer liderança [todos os nobres foram levados para a Babilônia]. Com população reduzida, e com o aumento dos estrangeiros os judeus precisavam aumentar rapidamente o seu número casando-se com os estrangeiros. Neemias proibiu tais casamentos, ordenou os divórcios porque os filhos dos israelitas não estavam aprendendo o hebraico nem a fé israelita e isso desintegraria Israel como nação.

9) CONFIAR INTEIRAMENTE EM DEUS [2.20; 6.15-16]

Crer significa confiar de maneira plena, depositando toda a esperança nas mãos de alguém que se julga mais poderoso.
Para o cristão significa entregar-se totalmente nas mãos de Deus em todos os momentos, mesmo naqueles que achamos que temos condições de solucionar os problemas. É algo como chegar em uma cidade grande, totalmente desconhecida, e dar o endereço ao motorista do taxi.
Você sabe onde quer chegar, mas não sabe o caminho, e sequer saberá que chegou a menos que o motorista te diga. Se ele deixa avenidas, entra por ruas estreitas você nada mais faz do que confiar. 
Lembremos que Deus é mais que um simples taxista, ele tem em suas mãos todo o poder, em sua mente todo o conhecimento. 
O cargo de Neemias era cobiçado. Ir para Jerusalém na situação em que ela se encontrava era muito perigoso.
Ele podia enfrentar oposição tanto dos judeus quanto dos vizinhos.
Mas ele sabia que estava fazendo a obra de Deus, e não teve medo.
Ele não tinha todos os recursos, mas sabia que Deus não deixaria nada faltar para que a sua obra fosse completada.
Esta confiança de Neemias é expressa extraordinariamente em Ne 6.9, quando ora: "Ó Deus, fortalece as minhas mãos".
Ele sabia que tinha que fazer, por isso menciona as mãos, mas sabia que a força vinha de Deus.
Rv. Marthon Mendes - Pr. IPB Jacundá, membro da Juret Norte-Nordeste

terça-feira, 15 de novembro de 2011

LINKS UTEIS

LINKS INTERESSANTES SOBRE PLANTAÇAO & REVITALIZAÇAO DE IGREJAS

www.churchplanting.com.br (artigos, curso online e fórum)

www.ctpi.org.br (centro de treinamento de plantadores de igrejas)

www.plantandoigrejas.org.br (artigos, curso online e fórum)

www.jesusfilm.org (filme Jesus e ferramentas de evangelização)

www.globalrecordings.net (Textos bíblicos gravados e disponíveis em diversas línguas)

www.chronologicalbiblestorying.org (Histórias bíblicas ilustradas)

Estratégias para Plantio e Revitalização de Igrejas - Ronaldo Lidório


Estratégias para Plantio e Revitalização de Igrejas
 
Nosso principal alvo neste seminário é a exploração da missiologia a partir da teologia bíblica com destaque nas estratégias que conduzem ao plantio de igrejas. Possuimos 3 objetivos:

·         Expor os fundamentos bíblicos quanto ao plantio de igrejas
·         Expor os elementos estratégicos essenciais no plantio de igrejas
·         Levar os participantes a refletirem sua dinâmica pessoal e ministerial no plantio de igrejas


Introdução

Tessalonicenses 1:5 – Os valores de comunicação do Evangelho

“... o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas sobretudo em poder, no Espírito Santo e em plena convicção...”

  • Poder. Deus é a força empoderadora da missão.
  • Espírito Santo. Convence o homem que está perdido e precisa de salvação.
  • Plena convicção (pleroforia). Paulo estava certo da mensagem, do lugar, do tempo e da sua vocação.

Mateus 24: 14 - A necessidade de uma comunicação keygmática (inteligível e aplicável), e ao mesmo tempo martírica (autenticada com o testemunho pessoal).


1.       Contextualização

Missiologia e Teologia não devem ser tratadas como áreas separadas de estudo, mas sim como disciplinas complementares. A Teologia coopera com a Igreja ao fazê-la entender o sentido da Missão e a base para a contextualização do Evangelho. A Missiologia, por outro lado, dirige teólogos para o plano redentivo de Deus e os ajuda a ler as Escrituras sob o pressuposto de que há um propósito para a existência da Igreja no mundo.

Soren Kierkegaard, Willian James e Rudolf Bultmann promoveram o liberalismo teológico associado à contextualização: o universalismo e contextualização como forma de relativização de valores.

O contrapeso teológico e escriturístico veio em Lausanne, 1974.  Se cremos que Deus é o autor da Palavra, que o Evangelho “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16), e que “a justiça de Deus se revela no Evangelho” (v.17), entendemos a necessidade de comunicar esta Verdade, de maneira inteligível ao que ouve e teologicamente fiel às Escrituras. Entendemos também que o Evangelho promove mudanças, gera transformações no homem e na sociedade. É a Verdade de Deus que liberta todo aquele que crê.

O Evangelho: a necessidade de uma compreensão bíblica

Uma das maiores barreiras na evangelização é a nossa própria compreensão do Evangelho. Por diferentes motivos humanizamos o Evangelho nas últimas décadas em um processo reducionista e passamos a igualá-lo a nós mesmos. Quando se diz que o Evangelho está crescendo, ou está sofrendo oposição, o que de fato desejamos comunicar é que a “Igreja” está crescendo ou sofrendo oposição. Paulo, escrevendo aos Romanos no primeiro capítulo, porém, deixa bem claro algo que parece estar esquecido em nossos dias: nós não somos o Evangelho – o Evangelho é Jesus Cristo. Portanto, apresentar a Igreja não é evangelizar. Expor a ética cristã para a família não é evangelizar. Anunciar a própria denominação não é evangelizar. Evangelizar é apresentar Jesus Cristo, sua vida, morte e ressurreição, para salvação de todo aquele que crê.

Modelo bíblico de contextualização da mensagem

Observaremos três passagens bíblicas no livro de Atos (9, 13 e 17) nas quais Paulo proclama o Evangelho. Primeiramente a um grupo formado puramente por judeus. Em outra ocasião a judeus, mas com presença gentílica simpatizante ao judaísmo. Por fim para gentios totalmente dissociados do mundo judaico e de seus valores vetero-testamentários. Ficará evidente que Paulo jamais compromete a autenticidade da mensagem bíblica, porém a comunica com aplicabilidade sociocultural de forma que haja boa comunicação, utilizando os elementos necessários para tal.

Notem que aos Judeus Paulo lhes fala sobre o Deus da promessa, Aquele que lhes trouxe do Egito, pois estes conheciam o Deus da Escritura e se viam como os filhos da promessa. Eles entendiam que Deus se revelou a seus pais, que interagiu com seu povo ao longo da história, que lhes deixou as Escrituras.

Ao segundo grupo Paulo lhes fala sobre o Deus das promessas e da história de Israel mas, como havia entre eles gentios, lhes fala também do Messias que há de vir para a salvação de todo aquele que crê. Percebemos aqui neste texto que Paulo lhes apresenta o Evangelho com fortes evidências vetero-testamentárias, para os Judeus, além de um grave apelo moral e escatológico, para os gentios judaizantes.

Ao terceiro grupo, puramente gentílico, o Messias que há de vir não lhes transmitia nenhuma mensagem aplicável à sua história, pois era visto tão somente como o Messias Judeu. Eles não tinham as Escrituras que O revelavam nem as promessas e alianças. Eles não se enxergavam como filhos da promessa  e não se identificavam com Abrão e Moisés. Porém, eles se viam como os filhos da Criação. Possuíam tremenda atração pelas obras criadas e fascinação pela figura do Criador. Eram caçadores de respostas e estudiosos da religiosidade, qualquer religiosidade. Portanto, Paulo lhes pregou sobre o Deus da criação, aquele que era antes de qualquer outro, que detém o poder de fazer surgir, e mantém a humanidade e o cosmos. Ele lhes fala demoradamente sobre os atributos deste Deus que é único, soberano, próximo e perdoador. Finalmente lhes fala de Jesus como o centro do plano salvífico de Deus, apresentando-O como o Messias para toda a humanidade.

A abordagem inicial em cada grupo foi diferente, a partir de seu contexto de compreensão e vida. A exposição foi sempre bíblica, com elementos da Palavra. A finalização, invariavelmente, culminou em Jesus Cristo, sua morte e ressurreição.

Critérios bíblicos para a contextualização

Tippett enfatiza que quando um povo passa a ver Jesus como Senhor pessoal, e não um Cristo estrangeiro; quando eles agem de acordo com valores cristãos aplicados à própria cultura vivendo um Evangelho que faz sentido à sua cosmovisão; quando eles adoram ao Senhor de acordo com critérios que eles entendem, então teremos ali uma igreja entre eles.

Na tentativa de avaliar a compreensão (e transformação) do Evangelho em um contexto transcultural, ou mesmo socialmente distinto, há três principais questões que deveríamos tentar responder perante um cenário onde o mesmo já foi pregado:

a) Eles percebem o Evangelho como sendo uma mensagem relevante em seu próprio universo?
b) Eles entendem os princípios cristãos em relação à cosmovisão local?
c) Eles aplicam os valores do Evangelho como respostas para os seus conflitos diários de vida?

Contextualizar o Evangelho é traduzi-lo de tal forma que o senhorio de Cristo não será apenas um princípio abstrato ou mera doutrina importada, mas sim um fator determinante de vida em toda sua dimensão e critério básico em relação aos valores culturais que formam a substância com a qual experimentamos o existir humano.


2.       Uma breve retrospectiva histórica e metodológica

Em meados do século 19 Henry Venn e Rufus Anderson direcionaram a Igreja através de sua intencionalidade no plantio de igrejas, justificando que as mesmas deveriam, ao ser plantadas, ter três características básicas: serem auto-propagáveis, auto-governáveis e auto-sustentáveis. Era o desenvolvimento do conceito de plantio de igrejas autóctones.

Na segunda metade do século 19, o esforço missionário denominacional combinou o plantio de igrejas com o desenvolvimento social quando foi contruído um número expressivo de hospitais, escolas e orfanatos em todo o mundo.

Hibbert observa, assim, que no início dos anos 80 havia três principais tendências quanto à ênfase no plantio de igrejas. McGravan e Winter enfatizavam o evangelismo e crescimento de igrejas; John Stott e outros enfatizavam uma abordagem holística conhecida hoje como missão integral; Samuel Escobar eRené Padilha adotaram um foco mais direcionado na justiça social.

Encontramos hoje uma vasta proliferação de modelos de plantio e crescimento de igrejas tais de como de Garrison, Vineyard, Willow Creek, Ralph Neighbor, Charles Brok, Brian Woodford e muitos outros. Quase todos possuem três ênfases semelhantes: a) plantio de igrejas de forma
intencional e planejada; b) a rápida incorporação dos novos convertidos à vida diária da igreja; c) ênfase no treinamento de liderança local e comunidades auto-governáveis.

Observando os diversos segmentos de plantação de igrejas no mundo atual (e na força missionária brasileira), podemos perceber que o enraizamento dos problemas mais comuns:

a) A dificuldade de se distinguir igreja e templo, perdendo assim o valor do discipulado e gerando mais investimento na estrutura do que em pessoas.

b) A demora na introdução dos convertidos na vida diária da Igreja, diluindo assim o valor da comunhão e integração, além de gerar crentes imaturos e disfuncionais.

c) A despreocupação com os fundamentos teológicos e atração pelos mecanismos puramente pragmáticos.

d) A ausência de sensibilidade social e cultural, pregando um evangelho sem sentido para o contexto receptor. Uma mensagem alienada da realidade da vida.

e) A excessiva pressa no plantio de igrejas, gerando comunidades superficiais na Palavra e abrindo oportunidades reais para o sincretismo ou nominalismo.

f) O excessivo envolvimento com a estrutura da missão ou da igreja, desgastando pessoas, recursos e tempo, e minimizando o que deveria ser o maior e mais amplo investimento: a proclamação do Evangelho.


3.                O modelo Paulino de plantio de igrejas

Pensemos na estratégia de Paulo. Em Antioquia da Pisídia ele pregava na Sinagoga, aos judeus. Eles, impressionados, o convidou a regressar. (At. 13:13-48). Percebe-se que em Icônio o Evangelho não foi rapidamente aceito, mas Deus o usou manifestando Sua graça por meio de milagres e maravilhas (At. 14:1-4). Em Listra Paulo foi usado por Deus para a cura de um homem, e transformou este momento em uma oportunidade para pregar o Evangelho à uma grande multidão (At. 14: 8-18). Em Tessalônica Paulo pregava na Sinagoga durante os sábados e na praça durante a semana. Historicamente ele se postava na “petros”, um suporte de pedra à saída do mercado, para ali anunciar diariamente a palavra do Senhor. (At. 17: 1-14).

Portanto encontramos no ministério de um só homem, em uma mesma geração, diferentes abordagens e estratégias. Paulo fala a multidões, mas também visita de casa em casa. Ele prega aos judeus na sinagoga, mas também o faz fora da sinagoga. Utiliza praças e mercados, jamais deixando de proclamar às multidões. Ele também devota-se a indivíduos para discípula-los e treiná-los para a liderança local. Devemos, portanto, compreender que não há estratégias fixas para a proclamação do Evangelho. Apenas princípios fixos.

No modelo Paulino de plantio de igrejas podemos observar que as principais estratégias utilizadas foram:

  • Introduzir-se na sociedade local a partir de uma pessoa receptiva ou um grupo aberto a recebê-lo e ouvi-lo.
  • Identificar ali o melhor ambiente para a pregação do evangelho, seja público como uma praça ou privado como um lar.
  • Evangelizar de forma abundante e intencional, a partir da Criação ou da Promessa, sempre desembocando em Cristo, sua cruz e ressurreição.
  • Expor a Palavra, sobretudo a Palavra. Expor de tal forma que seja ela inteligível e aplicável para quem ouve.
  • Testemunhar do que Cristo fez em sua vida.
  • Incorporar rapidamente os novos convertidos à igreja, à comunhão dos santos, seja em uma casa ou um agrupamento maior.
  • Identificar líderes em potencial e investir neles, seja face a face ou por cartas.
  • Não se distanciar demais das igrejas plantadas, visitando-as e se comunicando com as mesmas, investindo no ensino da Palavra.
  • Orar pelos irmãos, pelas igrejas plantadas e pelos gentios ainda sem Cristo, levando as igrejas também a orar.
  • Administrar as críticas e competitividade sem permitir que tais atos lhe retirem do foco evangelístico.
  • Utilizar a força leiga e local para o enraizamento e serviço da igreja.
  • Investir no ardor missionário e responsabilidade evangelística das igrejas plantadas.


4.                Plantio de Igrejas -  Elementos Essenciais

Os valores que devem fundamentar um processo amplo de plantio de igrejas são diversos, mas mencionaremos os principais:

  • Oração.   Há clara ligação entre despertamento para oração e plantio de igrejas;  entre avivamentos históricos e avanços missionários. Patrick Johnstone: “Quando o homem trabalha, o homem trabalha. Quando o homem ora, Deus trabalha”.

  • Abundante evangelização. Nenhuma tecnologia missionária substitui o poder da comunicação pessoal do Evangelho. O Evangelho foi abundantemente comunicado em cada período de expansão e plantio de igrejas de forma pessoal, fiel e constante.

  • Intencionalidade e objetidade. A ausência de uma intenção clara e objetiva de plantar igrejas é, em si, talvez a maior barreira para que isto venha a acontecer. Hesselgrave afirma que 75% das igrejas plantadas em lugares onde não há igrejas nasceram a partir de ações intencionais.

  • Fidelidade à Palavra.  Há muitas estratégias de movimento de massa que são funcionais, entretanto não são bíblicas. David Hesselgrave alerta-nos dizendo que  “nem todo novo pensamento é dirigido pelo Espírito. Nem tudo o que é novo é necessariamente bom. A Bíblia é antiga, o Evangelho é antigo e a Grande Comissão é antiga...”.  

  • Liderança local. Todo amplo movimento de plantio de igrejas que tornou-se regionalmente duradouro contou com um forte envolvimento de pessoas locais desde a primeira fase. O investimento em pessoas locais, passando-lhes a visão, paixão e estratégias garantirá um processo de plantio de igrejas que vá além do missionário ou evangelista.

  • DNA multiplicador. A reprodução de igrejas plantadas em uma segunda fase deve ser feita por meio dos frutos e não da raiz do movimento. Nesta etapa o(s) missionário(s) devem estar já assumindo uma posição de supervisão da visão e encorajamento, e não de linha de frente. Igrejas devem plantar igrejas. O modelo missionário que sugiro é: Inicie, pregue, discipule, reproduza, assista, encoraja e parta.


5.                Plantio de igrejas – Principais Barreiras na dinâmica ministerial

Os principais inimigos da evangelização e plantio de igreja em contexto intercultural são:

·         Falta de foco: múltiplas, pequenas e secundárias atividades que consomem todo o tempo e drenam toda a energia.
·         Falta de disciplina: A necessidade da organização e disciplina para um bom uso do tempo.
·         Falta de estratégias: a limitação de um trabalho puramente intuitivo. A abundância e  persistência como elementos centrais na evangelização e plantio de igrejas.
·         Falta de conciliação com as coisas da vida: a necessidade de conciliação das “coisas da vida” com o ministério missionário.
·         Falta de recursos financeiros: a grande demanda de recursos ao longo dos anos e a necessidade de planejamento, priorização e sacrifício.
·         Falta de motivação: Estar no local errado; permanecer tempo demais sem se mover para uma nova etapa; problemas relacionais dentro ou fora da equipe; falta de sincronia motivacional no casal; Isolamento e saudosismo nos solteiros.
·         Falta de comunhão com Deus: A vida devocional como fundamento para a vida e o ministério.
·         Falta de encorajamento e pastoreio: A ausência de prestação de contas, bem como a ausência de pastoreio resultam em isolamento, paralização ou distorções.

Algumas soluções e boas iniciativas:

·         Vida com Deus: fonte geradora de motivação, paz e direção no ministério.
·         Cuidar do coração, do casamento e/ou  família. É necessário estar bem para trabalhar bem.
·         Ser proativo procurando ajudar mais do que espera ser ajudado.
·         Ser um simplificador dos problemas que lhe chegam.
·         Procurar ajudar sempre que detectar um problema crônico ou difícil.
·         Ter um foco claro, simples e viável em seu ministério.
·         Escolher suas lutas. Não são todas.
·         Investir na comunicação com irmãos e igrejas para boa cobertura de oração e também apoio ministerial.
·         Investir na comunicação na equipe para boa amizade, oração e apoio ministerial.
·         Corrigir os caminhos errados. É sempre possível recomeçar: novos alvos, novo relacionamento, nova motivação, nova disciplina, nova organização, novo coração.


TRABALHOS CITADOS

BOSCH, David J. 1983. The structure of mission: An exposition of Matthew 28:1-20. Em Exploring church growth, Ed. WILBERT R. Shenk, 218-248. Grand Rapids, MI: Eerdmans.

---------------. 1991. Transforming mission: Paradigm shifts in theology of mission. Maryknoll, New York. Orbis.

CLOUD, Henry and John Townsend. 2001. How people grow. Zondervan – Grand Rapids.

GARRISON, David. 1999. Church Planting Movements. Richmond.  International Mission Board of the Southern Baptist Convention

GRUBB,Norman. 2003, new edition. C.T.Studd: Cricketer and Pioneer. Lutterworth Press

HESSELGRAVE, David. 1980. Planting churches cross-culturally: A guide to home and foreign missions. Grand Rapids, MI: Eerdmans.

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Igrejas e Pastores que Ouvem e Obedecem a Palavra de Deus no Processo de Revitalização


 Igrejas e Pastores que Ouvem e Obedecem a Palavra de Deus no
Processo de Revitalização - Apocalipse 3.22
Quando vemos a realidade da igreja evangélica nos últimos dias, e em nossa caso e casa, a Igreja Presbiteriana do Brasil, observamos que duas preocupações tem sido constantes, a primeira a de plantação de igrejas, que a meu ver é positiva pois visa cumprir a ordem de Marcos 16.15, o ide do Senhor Jesus, por outro lado e daí surge a segunda preocupação, que é a revitalização de igrejas, que no meu ponto de vista é mais negativa do que positiva, mas que de igual modo tem que ser feita, enquanto a plantação tem relação com coisas novas, a revitalização tem relação com a ressuscitação de algo que foi perdido ou que está moribundo.
Enquanto a plantação tem a ver com Marcos 16.15: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”(ARA), a revitalização está mais para Apocalipse 2:4,5 que diz: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”(ARA).
Porém tanto uma como a outra têm algo em comum, tanto para plantar como para revitalizar, o plantador e o revitalizador, tem que ter e estar com ouvidos bem sensíveis e atentos a voz do Senhor Jesus Cristo.
Analisando somente o Novo Testamento encontramos 16 vezes a expressão quem tem “ quem tem ouvidos, ouça...” ou “ quem tem ouvidos para ouvir, ouça...”, vejamos onde se encontram:
Quem tem ouvidos, ouça. Mt 11:15 / Quem tem ouvidos, ouça. Mt 13:9 / Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça. Mt 13:43 / E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Marcos 4:9 / Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. Mc 4:23 / Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. Mc 7:16 /  Mas outra caiu em boa terra; e, nascida, produziu fruto, cem por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Lc 8:8 / Não presta nem para terra, nem para adubo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Lc 14:35 / Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus. Ap. 2:7 / Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte. Ap. 2:11 / Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. Ap. 2:17 /  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas. Ap. 2:29 / Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas. Ap. 3:6 /  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ap. 3:13 / Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ap. 3:22 / Se alguém tem ouvidos, ouça. Ap. 13:9.
Tanto hoje quanto no passado o Espirito Santo deseja ser ouvido por aqueles a quem ele mesmo chamou para a boa obra, creio que por isso essa expressão seja tão pertinente e moderna; pois como veremos adiante na definição de ouvir, aquele que tem ouvidos, ouve, absorve, apreende, compreende, aceita e cumpre seu chamado.
Ao falarmos de revitalização de igrejas cremos que estamos andando não numa via de mão dupla, onde pessoas vem e vão, mas cremos que a revitalização acontece quando as igrejas e seus ministros deixam de andar em direções opostas e passam a andar paralelamente, alinhando mentes, corações e propósitos, e quando isso ocorre irremediavelmente teremos o inicio de um processo que desembocará numa revitalização prazeirosa e proveitosa, ao dizer prazeirosa entendemos que o é, por não haver guerra de poder em saber quem é o maior ou mais importante e proveitosa porque todos ganham especialmente a igreja do Senhor que deixa de ser um campo de batalha de egos e torna-se um manancial de aguas tranquilas (Salmo 23.2).
Definindo a palavra ouvir, Coenem e Brown:
akouw (akouo) “ouvir, escutar, prestar atenção, perceber pelo ouvido” e akoh (akoe) “audição, coisa ouvida, o ouvido, mensagem, ensino, relato, rumor”. akouo a partir de Homero significa ouvir e se refere primariamente a percepção de sons mediante o sentido da audição. A “audição” porém abrange não somente a percepção pelos sentidos como também a apreensão e aceitação pela mente no contexto daquilo que se ouve”. (Coenem e Brown, p. 1480, 2000)
            Porém apesar de definirmos a palavra ouvir nossa abordagem no presente artigo será no tocante ao ouvir o chamado do Senhor e o obedecer a sua vontade quanto a revitalização da igreja Dele na face da terra.
            Esse ouvir ao chamado não está ligado a salvação, pois tanto a igreja, quanto o ministro que ouve o chamado do Senhor para revitalizar sua igreja, são crentes no Senhor Jesus.
OS PASTORES
            Num primeiro momento abordaremos a figura do ministro que ouve o chamado de Deus pra ser um revitalizador.
            Quando esse ministro ouve e obedece ele percebe quem é e assume a sua função principal no processo de revitalização, entende o que Jesus preceitua em Mateus 20:28: “tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.
            Vivemos dias difíceis ministerialmente falando em relação, especialmente aos ministros, que de alguma forma tem se distanciado do seu chamado primário que é o mesmo de Jesus, o serviço, e tem buscado ser servido.
            Hoje em muitos arraiais não temos pastores, temos profissionais do púlpito, que antes de perguntar quais as necessidades da igreja, perguntam que benefícios receberão ao tornarem “pastores” de tal comunidade.
            Stott afirma:
“No mundo de hoje existe muita confusão a respeito da natureza do ministério pastoral. O que é o clero? É ele fundamentalmente formado por sacerdotes, presbíteros, pastores, profetas, pregadores ou psicoterapeutas? São administradores, os facilitadores, os gerentes, os assistentes sociais, os evangelistas ou os que celebram o culto? Há muitas opções”. (Stott, p. 89, 2005).
            Essa afirmação de Stott é verdadeira e muito atual no contexto vigente dos ministérios pastorais existentes.
            Para que a igreja do Cordeiro seja revitalizada se faz necessário antes de resgatar a estrutura, resgatar o ministério pastoral autêntico, pois sem essa autenticidade não há como revitalizar a igreja de Cristo.
            Stott elabora 4 modelos de ministério, baseado em I Coríntios 4, ele afirma:
“Primeiro: Os pastores são os ministros de Cristo ( 4.1a). Segundo: Os pastores são despenseiros de Cristo (4.1b,2). Terceiro: Os pastores são a escória de todos (4.8-13). Quarto: Os pastores são os pais da família da igreja (4.14-21)” (Stoot, p. 90,93,94,98, 2005).
            Creio que se olharmos por esse prisma enxergamos aquele que virá a ser o revitalizador da igreja, obviamente com a graça de Deus e orientação do Espírito Santo, especialmente nesses dias difíceis nos quais vivemos.
Quando o pastor ouve o chamado do Espírito Santo ele compreende claramente suas funções e posição e com santa humildade diz: “Eis-me aqui envia-me a mim” Isaías 6.8.
A IGREJA
            Agora num segundo momento abordaremos o papel da própria igreja, a comunidade dos santos, quer também anda um tanto quanto surda, para com a voz do Espirito Santo, que está constantemente nos chamando a sair da apatia espiritual e cumprirmos a missão de proclamação do evangelho aos 4 cantos da terra, seja em Jerusalém, Judéia, Samaria ou confins da terra.
            É muito pertinente essa frase de um anônimo: “a igreja que não evangeliza, se fossiliza”; cabe uma pergunta: Porque igrejas precisam ser revitalizadas?
            A resposta é aterradora, porque se tornaram campos missionários, ou seja, quando a igreja deixa de cumprir sua função primaria que é o ide do Senhor Jesus (Mc 16.15), ela pode contratar o melhor profissional de púlpito, digo isso, porque igrejas que deixam de lado a sua missão, também deixa de ter pastores para ter profissionais de púlpitos que são pagos pra fazer o que a igreja toda deveria fazer, tão lamentável quanto um ministro que é um profissional de púlpito, é uma igreja que por preguiça contrato o referido “profissional”, em outras palavras se existem esses tipos de pastores por aí, talvez seja porque o mercado de trabalho pra eles anda aquecido.
            A revitalização está intimamente ligada a plantação de igreja, pois uma igreja cumpridora da sua missão evangelizadora não tem problema com o arrefecimento do 1º amor e tão pouco sofre de coração frio.
            É por isso que a voz do Espírito Santo hoje está conclamando a igreja do Senhor a trabalhar, trabalhar e trabalhar, pois igreja que trabalha é igreja viva, pujante, aquecida, influenciadora do meio em que vive, é sal, é luz e referencia, e não uma peça de museu, um fóssil.
            Casimiro afirma:
“A obra missionaria é a prioridade da igreja... Logo se conclui que a maneira mais eficaz de promover a glória de Deus é cumprindo a missão evangelizadora que Ele deu a igreja. A tarefa primordial e intransferível da Igreja é proclamar o evangelho de Jesus Cristo, e reunir os convertidos em igrejas locais, Foi o próprio Jesus quem definiu a tarefa de sua igreja, na chamada “Grande Comissão” Mateus 28.18-20” (Casimiro, p. 31,32, 2009).
            Observando essa afirmação podemos entender porque igrejas que deveriam estar abarrotadas estão precisando ser revitalizadas.
            De um modo pratico após abordarmos o papel do ministro e da igreja cabe-nos propor alternativas, pois apontar erros não é difícil, o complicado e propor soluções relevantes, sendo proativos e efetivos, sem negociar a fé, os princípios e acima de tudo sem “vender a alma”.
            A revitalização não tem segredos, tipo formulas magicas que temos por aí, a revitalização passa irremediavelmente por seus agentes o pastor e a igreja, sem esses dois personagens não há revitalização pois Deus os escolheu pra essa tarefa, que os anjos amariam fazer, mas que lhes foi negada.
            Casimiro afirma:
“O homem é o método de Deus para a obra missionaria” (Casimiro, p. 55, 2009).
            Essa afirmação reforma nossa tese anterior, de que aos homens foi dado um privilegio negado aos anjos, que é o de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe2.9).
            Ao identificar um plantador de igreja o Rev. Arival Dias Casimiro faz uma lista com qualificações muito interessantes da quais quero me apropriar e aplica-las aos ministros e igrejas que são chamados ao despertamento para serem revitalizadores.
            Casimiro afirma:
“Juntando as pistas bíblicas com minhas experiências pessoais, apresento sugestões acerca das qualificações de um plantador de igrejas hoje: 1) Caráter Cristão; 2) Visão Espiritual; 3) Missão definida; 3) Disposição para pagar o preço; 4) Pregador Fiel da Palavra, 5) Frutífero; 6) Captador de Recursos; 7) Solucionador de problemas; 8) Perseverança; 9) Resiliência; 10) Atitude mental Positiva” (Casimiro, p. 62,63,64, 2009).
Como as características acima citadas para um plantador, são para nós também essenciais a um revitalizador, e esse é o caminho que propomos ouvido abertos e disposição férrea para enfrentar o desafio de ser revitalizador.
Concluímos que se por um lado ouvimos do plantador dizer, eu planto igrejas, ouvimos do revitalizador eu resgato igrejas, ambas as funções são dignas, se bem que preferiríamos ouvir só o plantador, pois cremos que essa seja a função primaria da igreja do Senhor Jesus Cristo.
Mas como não podemos fugir dessa segunda realidade, a revitalização, devemos orar e nos preparar para a agirmos com verdadeiros Neemias modernos, levantando muros, reparando brechas, reconduzindo o povo de Deus ao caminho de onde nunca deveriam ter saído, pois a revitalização só se faz necessária quando a igreja se desvia da rota e abandonam pressupostos e princípios inegociáveis e nesse aspecto Apocalipse 2.5: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”(ARA), se torna muito atual na questão da revitalização pois esse texto é um convite a reavaliarmos nossa condutas, posturas e objetivos.
Findamos esse artigo com uma canção da banda Rebanhão que diz:
“Quero voltar ao início de tudo/Encontrar-me Contigo, Senhor/Quero rever meus conceitos e valores/Eu quero reconstruir/Vou regressar ao caminho/Volver às primeiras obras, Senhor/Eu me arrependo, Senhor/ Me arrependo, Senhor/Me arrependo, Senhor/Eu quero voltar ao primeiro amor/Ao primeiro amor, ao primeiro amor/Eu quero voltar a Deus.” (Rebanhão, Album Novo Dia, 1987)
            Revitalizar é reconstruir, revitalizar é ouvir o chamado de Deus para nossas vidas e obedecer, quer sejamos ministros ou igrejas, mas que de preferencia tantos um quanto o outro ouçam a doce voz de Jesus que nos comissiona para a missão de fazer seu nome conhecido e exaltado entre todos os povos.
            Apocalipes 3.22: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
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REBANHAO, Banda, Álbum Novo Dia, Rio de Janeiro, 1987.