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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Igrejas e Pastores que Ouvem e Obedecem a Palavra de Deus no Processo de Revitalização


 Igrejas e Pastores que Ouvem e Obedecem a Palavra de Deus no
Processo de Revitalização - Apocalipse 3.22
Quando vemos a realidade da igreja evangélica nos últimos dias, e em nossa caso e casa, a Igreja Presbiteriana do Brasil, observamos que duas preocupações tem sido constantes, a primeira a de plantação de igrejas, que a meu ver é positiva pois visa cumprir a ordem de Marcos 16.15, o ide do Senhor Jesus, por outro lado e daí surge a segunda preocupação, que é a revitalização de igrejas, que no meu ponto de vista é mais negativa do que positiva, mas que de igual modo tem que ser feita, enquanto a plantação tem relação com coisas novas, a revitalização tem relação com a ressuscitação de algo que foi perdido ou que está moribundo.
Enquanto a plantação tem a ver com Marcos 16.15: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”(ARA), a revitalização está mais para Apocalipse 2:4,5 que diz: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”(ARA).
Porém tanto uma como a outra têm algo em comum, tanto para plantar como para revitalizar, o plantador e o revitalizador, tem que ter e estar com ouvidos bem sensíveis e atentos a voz do Senhor Jesus Cristo.
Analisando somente o Novo Testamento encontramos 16 vezes a expressão quem tem “ quem tem ouvidos, ouça...” ou “ quem tem ouvidos para ouvir, ouça...”, vejamos onde se encontram:
Quem tem ouvidos, ouça. Mt 11:15 / Quem tem ouvidos, ouça. Mt 13:9 / Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça. Mt 13:43 / E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Marcos 4:9 / Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. Mc 4:23 / Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. Mc 7:16 /  Mas outra caiu em boa terra; e, nascida, produziu fruto, cem por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Lc 8:8 / Não presta nem para terra, nem para adubo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Lc 14:35 / Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus. Ap. 2:7 / Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte. Ap. 2:11 / Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. Ap. 2:17 /  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas. Ap. 2:29 / Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas. Ap. 3:6 /  Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ap. 3:13 / Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ap. 3:22 / Se alguém tem ouvidos, ouça. Ap. 13:9.
Tanto hoje quanto no passado o Espirito Santo deseja ser ouvido por aqueles a quem ele mesmo chamou para a boa obra, creio que por isso essa expressão seja tão pertinente e moderna; pois como veremos adiante na definição de ouvir, aquele que tem ouvidos, ouve, absorve, apreende, compreende, aceita e cumpre seu chamado.
Ao falarmos de revitalização de igrejas cremos que estamos andando não numa via de mão dupla, onde pessoas vem e vão, mas cremos que a revitalização acontece quando as igrejas e seus ministros deixam de andar em direções opostas e passam a andar paralelamente, alinhando mentes, corações e propósitos, e quando isso ocorre irremediavelmente teremos o inicio de um processo que desembocará numa revitalização prazeirosa e proveitosa, ao dizer prazeirosa entendemos que o é, por não haver guerra de poder em saber quem é o maior ou mais importante e proveitosa porque todos ganham especialmente a igreja do Senhor que deixa de ser um campo de batalha de egos e torna-se um manancial de aguas tranquilas (Salmo 23.2).
Definindo a palavra ouvir, Coenem e Brown:
akouw (akouo) “ouvir, escutar, prestar atenção, perceber pelo ouvido” e akoh (akoe) “audição, coisa ouvida, o ouvido, mensagem, ensino, relato, rumor”. akouo a partir de Homero significa ouvir e se refere primariamente a percepção de sons mediante o sentido da audição. A “audição” porém abrange não somente a percepção pelos sentidos como também a apreensão e aceitação pela mente no contexto daquilo que se ouve”. (Coenem e Brown, p. 1480, 2000)
            Porém apesar de definirmos a palavra ouvir nossa abordagem no presente artigo será no tocante ao ouvir o chamado do Senhor e o obedecer a sua vontade quanto a revitalização da igreja Dele na face da terra.
            Esse ouvir ao chamado não está ligado a salvação, pois tanto a igreja, quanto o ministro que ouve o chamado do Senhor para revitalizar sua igreja, são crentes no Senhor Jesus.
OS PASTORES
            Num primeiro momento abordaremos a figura do ministro que ouve o chamado de Deus pra ser um revitalizador.
            Quando esse ministro ouve e obedece ele percebe quem é e assume a sua função principal no processo de revitalização, entende o que Jesus preceitua em Mateus 20:28: “tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.
            Vivemos dias difíceis ministerialmente falando em relação, especialmente aos ministros, que de alguma forma tem se distanciado do seu chamado primário que é o mesmo de Jesus, o serviço, e tem buscado ser servido.
            Hoje em muitos arraiais não temos pastores, temos profissionais do púlpito, que antes de perguntar quais as necessidades da igreja, perguntam que benefícios receberão ao tornarem “pastores” de tal comunidade.
            Stott afirma:
“No mundo de hoje existe muita confusão a respeito da natureza do ministério pastoral. O que é o clero? É ele fundamentalmente formado por sacerdotes, presbíteros, pastores, profetas, pregadores ou psicoterapeutas? São administradores, os facilitadores, os gerentes, os assistentes sociais, os evangelistas ou os que celebram o culto? Há muitas opções”. (Stott, p. 89, 2005).
            Essa afirmação de Stott é verdadeira e muito atual no contexto vigente dos ministérios pastorais existentes.
            Para que a igreja do Cordeiro seja revitalizada se faz necessário antes de resgatar a estrutura, resgatar o ministério pastoral autêntico, pois sem essa autenticidade não há como revitalizar a igreja de Cristo.
            Stott elabora 4 modelos de ministério, baseado em I Coríntios 4, ele afirma:
“Primeiro: Os pastores são os ministros de Cristo ( 4.1a). Segundo: Os pastores são despenseiros de Cristo (4.1b,2). Terceiro: Os pastores são a escória de todos (4.8-13). Quarto: Os pastores são os pais da família da igreja (4.14-21)” (Stoot, p. 90,93,94,98, 2005).
            Creio que se olharmos por esse prisma enxergamos aquele que virá a ser o revitalizador da igreja, obviamente com a graça de Deus e orientação do Espírito Santo, especialmente nesses dias difíceis nos quais vivemos.
Quando o pastor ouve o chamado do Espírito Santo ele compreende claramente suas funções e posição e com santa humildade diz: “Eis-me aqui envia-me a mim” Isaías 6.8.
A IGREJA
            Agora num segundo momento abordaremos o papel da própria igreja, a comunidade dos santos, quer também anda um tanto quanto surda, para com a voz do Espirito Santo, que está constantemente nos chamando a sair da apatia espiritual e cumprirmos a missão de proclamação do evangelho aos 4 cantos da terra, seja em Jerusalém, Judéia, Samaria ou confins da terra.
            É muito pertinente essa frase de um anônimo: “a igreja que não evangeliza, se fossiliza”; cabe uma pergunta: Porque igrejas precisam ser revitalizadas?
            A resposta é aterradora, porque se tornaram campos missionários, ou seja, quando a igreja deixa de cumprir sua função primaria que é o ide do Senhor Jesus (Mc 16.15), ela pode contratar o melhor profissional de púlpito, digo isso, porque igrejas que deixam de lado a sua missão, também deixa de ter pastores para ter profissionais de púlpitos que são pagos pra fazer o que a igreja toda deveria fazer, tão lamentável quanto um ministro que é um profissional de púlpito, é uma igreja que por preguiça contrato o referido “profissional”, em outras palavras se existem esses tipos de pastores por aí, talvez seja porque o mercado de trabalho pra eles anda aquecido.
            A revitalização está intimamente ligada a plantação de igreja, pois uma igreja cumpridora da sua missão evangelizadora não tem problema com o arrefecimento do 1º amor e tão pouco sofre de coração frio.
            É por isso que a voz do Espírito Santo hoje está conclamando a igreja do Senhor a trabalhar, trabalhar e trabalhar, pois igreja que trabalha é igreja viva, pujante, aquecida, influenciadora do meio em que vive, é sal, é luz e referencia, e não uma peça de museu, um fóssil.
            Casimiro afirma:
“A obra missionaria é a prioridade da igreja... Logo se conclui que a maneira mais eficaz de promover a glória de Deus é cumprindo a missão evangelizadora que Ele deu a igreja. A tarefa primordial e intransferível da Igreja é proclamar o evangelho de Jesus Cristo, e reunir os convertidos em igrejas locais, Foi o próprio Jesus quem definiu a tarefa de sua igreja, na chamada “Grande Comissão” Mateus 28.18-20” (Casimiro, p. 31,32, 2009).
            Observando essa afirmação podemos entender porque igrejas que deveriam estar abarrotadas estão precisando ser revitalizadas.
            De um modo pratico após abordarmos o papel do ministro e da igreja cabe-nos propor alternativas, pois apontar erros não é difícil, o complicado e propor soluções relevantes, sendo proativos e efetivos, sem negociar a fé, os princípios e acima de tudo sem “vender a alma”.
            A revitalização não tem segredos, tipo formulas magicas que temos por aí, a revitalização passa irremediavelmente por seus agentes o pastor e a igreja, sem esses dois personagens não há revitalização pois Deus os escolheu pra essa tarefa, que os anjos amariam fazer, mas que lhes foi negada.
            Casimiro afirma:
“O homem é o método de Deus para a obra missionaria” (Casimiro, p. 55, 2009).
            Essa afirmação reforma nossa tese anterior, de que aos homens foi dado um privilegio negado aos anjos, que é o de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe2.9).
            Ao identificar um plantador de igreja o Rev. Arival Dias Casimiro faz uma lista com qualificações muito interessantes da quais quero me apropriar e aplica-las aos ministros e igrejas que são chamados ao despertamento para serem revitalizadores.
            Casimiro afirma:
“Juntando as pistas bíblicas com minhas experiências pessoais, apresento sugestões acerca das qualificações de um plantador de igrejas hoje: 1) Caráter Cristão; 2) Visão Espiritual; 3) Missão definida; 3) Disposição para pagar o preço; 4) Pregador Fiel da Palavra, 5) Frutífero; 6) Captador de Recursos; 7) Solucionador de problemas; 8) Perseverança; 9) Resiliência; 10) Atitude mental Positiva” (Casimiro, p. 62,63,64, 2009).
Como as características acima citadas para um plantador, são para nós também essenciais a um revitalizador, e esse é o caminho que propomos ouvido abertos e disposição férrea para enfrentar o desafio de ser revitalizador.
Concluímos que se por um lado ouvimos do plantador dizer, eu planto igrejas, ouvimos do revitalizador eu resgato igrejas, ambas as funções são dignas, se bem que preferiríamos ouvir só o plantador, pois cremos que essa seja a função primaria da igreja do Senhor Jesus Cristo.
Mas como não podemos fugir dessa segunda realidade, a revitalização, devemos orar e nos preparar para a agirmos com verdadeiros Neemias modernos, levantando muros, reparando brechas, reconduzindo o povo de Deus ao caminho de onde nunca deveriam ter saído, pois a revitalização só se faz necessária quando a igreja se desvia da rota e abandonam pressupostos e princípios inegociáveis e nesse aspecto Apocalipse 2.5: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”(ARA), se torna muito atual na questão da revitalização pois esse texto é um convite a reavaliarmos nossa condutas, posturas e objetivos.
Findamos esse artigo com uma canção da banda Rebanhão que diz:
“Quero voltar ao início de tudo/Encontrar-me Contigo, Senhor/Quero rever meus conceitos e valores/Eu quero reconstruir/Vou regressar ao caminho/Volver às primeiras obras, Senhor/Eu me arrependo, Senhor/ Me arrependo, Senhor/Me arrependo, Senhor/Eu quero voltar ao primeiro amor/Ao primeiro amor, ao primeiro amor/Eu quero voltar a Deus.” (Rebanhão, Album Novo Dia, 1987)
            Revitalizar é reconstruir, revitalizar é ouvir o chamado de Deus para nossas vidas e obedecer, quer sejamos ministros ou igrejas, mas que de preferencia tantos um quanto o outro ouçam a doce voz de Jesus que nos comissiona para a missão de fazer seu nome conhecido e exaltado entre todos os povos.
            Apocalipes 3.22: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
BIBLIOGRAFIA



A BÍBLIA SAGRADA, Revista e Atualizada, 2ª ed. Barueri – SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

COENEM, BROWN (orgs), Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento [Tradução Gordon Chown], São Paulo: Edições Vida Nova, 2000.

STOTT, Jonh R. W, O Chamado para Líderes Cristaos – O modelo para liderança segundo Jesus , São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2005.

CASIMIRO, Arival Dias Casimiro, Plante Igrejas – Principios bíblicos para palantaçao e revitalização de igrejas , Santa Barbara do Oeste: Socep Editora, 2009.

REBANHAO, Banda, Álbum Novo Dia, Rio de Janeiro, 1987.

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