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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

NEEMIAS


Neemias: 9 princípios para edificação da obra do Senhor
O Antigo oriente Médio era dominado pela Pérsia, com sua organização política e administrativa dividindo o império em regiões chamadas satrapias e a Palestina pertencia à satrapia Transeufrates [ou depois do Rio Eufrates], junto com a Síria, Fenícia, Canaã e Chipre.
Neemias tinha uma função de confiança junto ao rei Artaxerxes: era seu copeiro. E acabou sendo, por um tempo, uma espécie de vice-governador de uma porção desta satrapia [Ne 2.6-9; 3.7], num evento histórico pois desde 587 a.C. [exílio do rei Sedecias] Jerusalém não abrigava nenhuma autoridade. Isso aconteceu por volta de 430 a.C.
Sua missão era: a. fortalecer a comunidade de Jerusalém, preparando-a para a reconstrução;
b. reorganizar o povo na terra e na cidade;
c. disciplinar o povo de volta às Escrituras e
d. corrigir eventuais abusos políticos, econômicos e religiosos.
Vamos explorar o livro de Neemias entender os 9 princípios que ele usou para cumprir a missão de reconstruir Jerusalém, missão essa dada pelo próprio que Deus. Vejamos:

1) PERCEPÇÃO DAS NECESSIDADES [1.1-4]
Neemias tinha suas ocupações na corte persa, como ele mesmo afirma, era “copeiro do rei” Artaxerxes, uma função de confiança e ao mesmo tempo muito perigosa, pois cabia-lhe, entre outras coisas, provar a comida e a bebida que era servida ao rei – evitando assim que o mesmo sofresse envenenamento [2.1]. Num ambiente de constantes intrigas palacianas, não era algo improvável. Mas o fato é que Neemias tinha acesso ao rei e à rainha, e por isso tinha uma vida que era invejada por muitos.  Todavia Neemias não se desligou do seu povo e da sua história.
À semelhança de Daniel não perdeu sua identidade no meio de uma nova realidade [Ne 1.1-3]. Apesar de estar na opulenta Susã, uma das capitais imperiais [usada especialmente no inverno por causa do clima mais ameno] o coração de Neemias se enternece com o estado de miséria dos israelitas que ficaram na sua terra, em ‘grande miséria e desprezo’, as muralhas em ruinas, as portas incendiadas e a cidade destruída. 
Era passado o tempo do exílio, e era necessária a reconstrução de Jerusalém.
Mas como aqueles judeus que ficaram na mais absoluta miséria poderiam fazer isso?
Os nobres tinham sido levado cativos, o próprio Neemias era de família nobre, como Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.
Não havia liderança no meio dos escombros – havia apenas o que poderia haver, uma luta diária pela sobrevivência em condições hostis.  No decorrer da narração da historia de Neemias vamos perceber que havia injustiça social, exploração dos judeus pelos próprios judeus, com desigualdade social, exploração, escravismo, sacerdotes e profetas corruptos. Há conflito no que se refere à fé, entre os judeus que não foram pro exílio, os que retornaram com Esdras e os não judeus. Havia uma tentativa de sincretismo por parte de uns e radicalismo por parte de outros, casamentos mistos, alianças por interesses econômicos.

2)DISPOSIÇÃO PARA A OBRA [1.11; 2.1-6]
Após buscar a presença de Deus, confessando seus pecados e reconhecendo o pecado de seu próprio povo [pois não podia confessar o pecado de terceiros – confessamos os nossos pecados, intercedemos pelos pecados dos outros.
A confissão é sempre fruto do arrependimento individual] Neemias pede ao Senhor que lhe dê “mercê perante o Rei”. Ele havia decidido fazer algo para melhorar a situação do seu povo.
Tinha um plano e havia tomado uma resolução. A execução não dependia dele.
O texto nos mostra um Neemias resoluto e ao mesmo tempo tenso, preocupado.
Como ele convenceria o rei a permitir a reedificação de Jerusalém, uma cidade com um grande histórico de revoltas e guerras?
Neemias percebeu que este não era o seu problema. Ele deveria estar disposto a ser o instrumento de Deus para aquela obra.
E se fosse da vontade de Deus o rei lhe seria favorável [Ne 2.1-3].
Confiante e preocupado, Neemias aguardou a ocasião propícia, sabedor de que há tempo para tudo debaixo do céu, e não se deve desperdiçar as oportunidades.
Entre março e abril de 445 a.C. Neemias é inquirido pelo rei do porque da sua expressão tensa, expôs-lhe o que lhe preocupava o coração, e conseguiu a liberação do rei para viajar, recomendações para que tivesse segurança e recursos materiais para a reedificação da cidade [Ne 2.4-5]. Na verdade, Neemias faz duas viagens, uma em 445 a.C. e outra em 432 a.C.

3)          AVALIAÇÃO DO QUE PRECISA SER FEITO [2.11-15]
Uma vez autorizado a fazer, era agora preciso verificar o que deveria ser feito. Neemias tinha um prazo para fazer a obra, e seus recursos também não eram ilimitados. Para realizar sua obra, ele precisa saber exatamente o que há de ser executado.
E o faz, sem estardalhaço. Chega a Jerusalém sem um projeto, sem saber ainda o que e como deveria fazer. Não é incomum assumir obrigações com uma grande disposição e, na realidade, não ter nenhum planejamento. Ao chegar a Jerusalém Neemias resolve fazer um reconhecimento do terreno para verificar a extensão da obra que tinha que realizar. Ele não conhecera Jerusalém. Tampouco conhecera o templo. Reconstruir uma grande cidade com um "resto de povo" como descrito por Isaías não seria uma tarefa fácil.
Exigiria conhecimento do terreno, disposição adequada dos recursos disponíveis.
Enfim, exigira planejamento. Neemias deveria saber exatamente o que precisava ser feito. Cada muro, cada porta, cada etapa do trabalho precisava ser cuidadosamente definida.

4)          NÃO DESANIMAR APESAR DAS DIFICULDADES [2.14]
Neemias circunda a cidade à noite, chegando a um lugar onde nem mesmo o seu animal [provavelmente uma mula] consegue passar.
À noite, com pouca gente, sem conhecer direito o terreno, tendo que andar a pé. Eis o momento em que muitos desanimam.
Argumentam estarem sós, não enxergarem nada à frente, não terem nem mesmo saída.
A maioria desiste. Mas não os homens de fé [II Co 5.07].
A grande Jerusalém, edificada como cidade compacta [Sl 122.3], isto é, protegida por muralhas, não passava de um monte de escombros, mas Neemias, apesar dos escombros, olhava para o que ele sabia ter sido, e para o que poderia ser.
É por isso que ele identifica cada lugar pelo seu nome antigo. Ele não queria perder a historia, mas ao mesmo tempo não estava disposto a deixar que Jerusalém virasse apenas historia.
Havia trabalho a ser feito, e ele estava ali para fazer o trabalho. Ele sabia o que havia acontecido, estava disposto a fazer e sabia o que precisava ser feito.
Não poderia desanimar. Conhecimento sem ação não resolve problema nenhum.
Ação sem conhecimento pode gerar novos problemas.

5)          REJEITAR OS DESCOMPROMISSADOS [2.10; 19-20]
É uma decisão sempre difícil de ser tomada, e às vezes um líder precisa tomar: definir a equipe de trabalho, escolhendo entre aqueles que estão realmente dispostos a fazer a obra e os que estão interessados apenas em "tomar parte". É sempre muito difícil analisar uma equipe e decidir afastar alguém.
E o caso de Neemias é ainda mais difícil porque ele estava pronto a reedificar a cidade à partir de um "resto de povo" e deixando de lado pessoas que tinham recursos, influência e auxiliares.
Pensemos na situação de Neemias: se você fosse reestruturar uma comunidade, você abriria mão de líderes de grupos inteiros nesta comunidade [Sambalate era líder dos horonitas, Tobias, dos amonitas, Gesém, dos arábios – Ne 2.19]. Eles contavam com a colaboração dos asdoditas [Ne 4.7] – todos estes povos inimigos históricos dos judeus.
Talvez muitos estrategistas entendessem que era a hora de uma aliança estratégica, ainda mais que eles tinham dinheiro para comprar apoios [Ne 6.12] e tinham influentes conexões religiosas com os profetas [Ne 6.14] e até mesmo familiares com o sumo sacerdote [Ne 13.28] embora, aparentemente, este não estivesse envolvido com os inimigos de Neemias.

6)     DIVIDIR AS TAREFAS SEGUNDO A CAPACIDADE DE CADA UM [3.1-32; 4.16-23]

Todo o capítulo 3 é dedicado à honrar aqueles que se dedicaram a reedificar a cidade destruída. Cada trecho de muro, cada porta, cada torre foi entregue a um grupo específico.
Neemias antecipa em 25 séculos os princípios administrativos modernos, que identificam a tendência centralizadora imperialista que muitas vezes leva os líderes a se desgastarem desnecessariamente somente porque querem fazer tudo, participar de tudo, quando, na verdade, o que deve ser feito é distribuir tarefas, acompanhar a execução e verificar os resultados.
Planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação de uma atividade são essenciais para se atingir as metas propostas. 
Veja que, mesmo enquanto praticamente todos estão trabalhando, Neemias continua seu trabalho de direção, identificando os relapsos na obra, como no caso dos "nobres de nascimento" de Tecoa [3.5], contrastando-os com que, ordinariamente, não se envolveria neste tipo de trabalho, as filhas de Haloés [3.12].
Ninguém foi obrigado a fazer mais do que tinha condições – houve aqueles que trabalharam apenas "em frente às suas próprias casas" [3.10, 23] e, embora não saibamos o quanto fizeram, não deixaram brechas, fizeram a sua parte. 
Quem tinha condições de fazer e não quis também não foi obrigado a fazer.
É interessante notar que todo este trabalho era voluntário – exatamente como as pessoas pensam ser na Igreja.
Porque "como as pessoas pensam"?
Porque creio que nosso trabalho é serviço a um Senhor – e serviço a um Senhor nunca é voluntário. Só é voluntario nas coisas do Senhor quem não tem Jesus como Senhor.
Se ele é Senhor, então o serviço é obrigatório e deixar de fazer a obra confiada é ser servo mau e negligente [Mt 25.26-27].
Também por ser uma obra a serviço e não voluntaria ela não pode ser feita relaxadamente [Jr 48.10].
Guardemos bem isso: não existe serviço voluntario na obra do Senhor.
Todo serviço é resposta a uma ordem expressa.

7)  NÃO PARAR APESAR DA OPOSIÇÃO [4.1-3]

Há um ditado popular, que era constantemente repetido por meu avô, que afirma que "muito faz quem não atrapalha".
Infelizmente, na Igreja, o inverso é verdadeiro, muito atrapalha quem nada faz.
Há mais especialistas em detectar falhas [reais ou imaginárias apenas porque as coisas não estão sendo feitas do modo que julgam ser correto] do que em dar sugestões.
Conta-se uma historieta em que um presidente da empresa foi procurado por um de seus gerentes para ficar a par de alguns problemas da firma.
Após o relato, o presidente pergunta ao gerente: e qual a solução para estes problemas?
O gerente responde: não sei. Ao que o presidente diz:
Então você não serve para ser gerente se não tem ao menos sugestões.
No caso de Neemias, e de um líder que segue os seus princípios, que não são apenas bíblicos, mas extremamente práticos [Mt 12.30].
Os descompromissados, ao serem rejeitados, poderão se tornar opositores incansáveis.
E após a rejeição esta oposição se transforma em ira e inimizade e incorrem num erro ainda maior que o descompromisso, o de aliar-se aos ímpios, pois as judeus era vedado determinados tipos de relacionamento com os não judeus.
Os vizinhos já eram naturalmente adversários dos judeus, foram sujeitos por eles em diversas ocasiões, e viam com apreensão a reconstrução de Jerusalém.
Os descompromissados e as nações ao derredor agora tem uma tarefa, um alvo principal, destruir o cabeça da obra, Neemias, a ponto de intentarem matá-lo [Ne 6.5-14], tanto com ameaças quanto com artimanhas [Ne 6.10-11].
Neemias não foge da batalha porque sabe que está fazendo a obra do Senhor dos exércitos.  Não se intimida, toma os cuidados necessários mas está pronto para ir em frente.
8)                    CORRIGIR EVENTUAIS DESVIOS PELO CAMINHO [5.1-13]
Para resolver problemas que estavam acontecendo, tanto na área econômica, religiosa e social, ele precisou tomar algumas medidas.
Legislou sobre os empréstimos que eram efetuados por alguns judeus que ficaram ricos, explorando os irmãos com a cobrança de até 60% ao ano, tendo como garantia de pagamento a penhora dos próprios filhos, judeus, que se tornavam escravos de seus irmãos judeus.
Neemias fez valer a lei mosaica de que qualquer penhor só teria valor por 6 anos, e sétimo a divida deixaria de existir [Ne 10.31].
Legislou sobre causas sócio-religiosas, tendo em vista reagrupar o povo que havia sido deixado numa situação de desprezo e abandono, sem qualquer liderança [todos os nobres foram levados para a Babilônia]. Com população reduzida, e com o aumento dos estrangeiros os judeus precisavam aumentar rapidamente o seu número casando-se com os estrangeiros. Neemias proibiu tais casamentos, ordenou os divórcios porque os filhos dos israelitas não estavam aprendendo o hebraico nem a fé israelita e isso desintegraria Israel como nação.

9) CONFIAR INTEIRAMENTE EM DEUS [2.20; 6.15-16]

Crer significa confiar de maneira plena, depositando toda a esperança nas mãos de alguém que se julga mais poderoso.
Para o cristão significa entregar-se totalmente nas mãos de Deus em todos os momentos, mesmo naqueles que achamos que temos condições de solucionar os problemas. É algo como chegar em uma cidade grande, totalmente desconhecida, e dar o endereço ao motorista do taxi.
Você sabe onde quer chegar, mas não sabe o caminho, e sequer saberá que chegou a menos que o motorista te diga. Se ele deixa avenidas, entra por ruas estreitas você nada mais faz do que confiar. 
Lembremos que Deus é mais que um simples taxista, ele tem em suas mãos todo o poder, em sua mente todo o conhecimento. 
O cargo de Neemias era cobiçado. Ir para Jerusalém na situação em que ela se encontrava era muito perigoso.
Ele podia enfrentar oposição tanto dos judeus quanto dos vizinhos.
Mas ele sabia que estava fazendo a obra de Deus, e não teve medo.
Ele não tinha todos os recursos, mas sabia que Deus não deixaria nada faltar para que a sua obra fosse completada.
Esta confiança de Neemias é expressa extraordinariamente em Ne 6.9, quando ora: "Ó Deus, fortalece as minhas mãos".
Ele sabia que tinha que fazer, por isso menciona as mãos, mas sabia que a força vinha de Deus.
Rv. Marthon Mendes - Pr. IPB Jacundá, membro da Juret Norte-Nordeste

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